Meu querido amigo que veio de longe não desistiu de tentar entender melhor a nós, os habitantes do planeta Terra. Sei que é difícil, mas tento.
Minha última tentativa de explicar nossos costumes, nossos hábitos foi neste...
Bate-Bola Com Vincent
Vincent: Fotos de bebês, nus?
Eu: Pode, sem problemas, as mães fazem isso sempre.
V: E de adultos?
E: Anônimos, não pode. É indecente.
V: Famosos?
E: Pode, se saírem numa revista masculina ou gay.
V: Sair numa revista sem roupa não é indecente ?
E: Indecente é a grana que eles recebem para fazer isso.
V: Falar palavrão?
E: Criança não pode, adulto pode.
V: A palavra deixa de ser feia se for um adulto falando?
E: Não, mas é que os adultos sabem onde e como, e o quê dizer.
V: Então ninguém profere palavras de baixo calão em público...
E: Cada vez mais. Tem uma que é até preferência nacional, que começa com C.
V: Mas então...
E: Então eu sei que você não entendeu nada, mas eu explico outro dia, tá?
V: Está bem. E adultério?
E: Pode. Para homem pode, é um comportamento típico, faz parte de sua natureza.
V: E para a mulher?
E: Não pode.É uma vergonha, em alguns lugares, um crime punível com a morte.
V: Mas só para as mulheres?!?!
E: É.
V: E o sexo em si?
E: Quanto mais cedo para o homem, melhor. Para a mulher, o mais tarde possível.
V: Se vocês esperam que um homem comece o quanto antes e a mulher muito tempo depois, com quem começa o homem?
E: Não vale pergunta difícil.
V: E como vocês encaram o sexo?
E: Com naturalidade.
V: Conversam abertamente com os filhos sobre sexo?
E: Raramente.
V: Mas se vocês o acham natural, este não seria um assunto aberto?
E: Seria, mas não é.
V: Mas vocês gostam de sexo?
E: Sim, claro, gostamos bastante.
V: E não falam sobre o que gostam?
S: É meio complicado...
V: Pelo menos os jovens aprendem sobre sexo nas escolas?
E: Sim, aprendem que têm de usar camisinha.
V: Ai, ai. Vamos mudar de assunto.
S: Vamos, vamos.
V: Matar pode?
E: De jeito nenhum, Vincent.
V: Nem mesmo a polícia?
E: Ah, se é a polícia, pode. Se for numa guerra, os soldados devem. Num país com pena capital, é dever do estado.
V: Vocês crêem que Deus abre essas exceções em suas leis?
E: Vamos falar de música?
V: Então me explica essa tal de música country no seu país.
E: É como se fosse de cow-boy, mas é do interior do Brasil.
V: E no interior se fala inglês?
E: Não, claro que não, o nome em inglês deve ser para vender mais.
V: E Funk está vendendo bastante?
E: Olha, vamos falar de cinema.
V: Os filmes mais procurados nas locadoras continuam sendo os sobre violência, guerra, catástrofe, horror e roubo?
E: Infelizmente. Mas tem muito filme bom por aí.
V: Vocês têm fascinação pela morte?
E: Que idéia absurda, Vi, por que a pergunta?
V: Eu vi um cartaz de um filme chamado Cadáveres. Os atores não se importam de fingir de mortos?
E: Acho que não tiveram esse problema, pois usaram cadáveres de verdade.
V: Eles O QUÊ?
E: Mas há os filmes de amor!
V: Todos gostam?
E: Nem todos, alguns preferem filmes “adultos”.
V: Que são...
E: De sexo.
V: Ah, então ao invés de conversarem ou darem aulas de educação sexual , mostram esse filmes para seus filhos?
E: Deus me livre. Esses não são filmes de educação, mas de perversão, sexo explícito, taras e etc.
V: Mas afinal de contas vocês consideram sexo natural ou não?
E: Achamos. Mas não discutimos em público, não educamos nas escolas, não conversamos sobre com nossos filhos e gostamos de vê-lo distorcido, emporcalhado, vulgarizado nos filmes. Mas achamos que é uma coisa natural. Entendeu?
V: Sinceramente, nada.
E: Então vamos falar de coisas mais positivas.
V: Certo. Como vocês definem Deus, uma pessoa ?
E: Puro espírito.
V: Mas se referem a Deus como “o homem lá de cima”, “o velho de barbas”, até pintam quadros assim.
E: É, eu sei, mas mesmo assim Deus não é uma pessoa. Não é nem mulher nem homem.
V: Então como vocês dizem “O Pai Eterno”? Não poderia ser Mãe? Ou Pai-Mãe?
E: E o futebol, Vincent, você torce por algum time?
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